Plataformas: PC, PS4/PS5, Xbox One/Series X|S | Gênero: Survival Horror / Ação | Desenvolvedora: Capcom | Lançamento: 2020
Resident Evil 2 Remake não foi apenas um sucesso, foi uma promessa de excelência. Ele estabeleceu um padrão de como um clássico survival horror deve ser recriado: honrando a essência, aprofundando o terror e modernizando a exploração.
Então veio Resident Evil 3 Remake, lançado apenas um ano depois, em 2020, e a sensação não foi de uma sequência digna, mas sim de uma expansão apressada e, francamente, decepcionante. O que deveria ser a coroação da trilogia de Raccoon City acabou sendo uma sombra de seu antecessor.
O Erro Fatal: Um Ano de Diferença
O maior problema de RE3 Remake pode ser resumido em uma decisão de negócios: o curto espaço de um ano entre seu lançamento e o de RE2 Remake.
O sucesso do RE2R veio da dedicação à RPD (Delegacia de Polícia de Raccoon City) como um hub central, repleto de puzzles e backtracking estratégico. A Capcom nos entregou isso, mas parece que, ao fazer o RE3R em tão pouco tempo, a equipe cortou brutalmente conteúdo para cumprir o cronograma.
O resultado é um jogo que parece um DLC de alto preço e não um título principal. A exploração complexa, marca registrada do gênero, foi trocada por uma narrativa linear e apressada.
O Nemesis, o Grande Derrotado
O Tirano (Mr. X) em RE2R provou que a mecânica de "predador stalker" que persegue o jogador em tempo real era aterrorizante e funcionava perfeitamente com a nova perspectiva. As expectativas para Nemesis, o "caçador" original, eram estratosféricas: esperávamos um Mr. X mais rápido, mais esperto e com mais armas.
O que recebemos foi um conjunto de set pieces (cenas roteirizadas) e lutas de boss cinematográficas.
Roteiro vs. Stalking: O Nemesis aparece em momentos extremamente previsíveis. A ameaça constante de seus passos, que definia o Mr. X, desapareceu. Onde estava a tensão de não saber quando ele iria invadir o próximo corredor?
Ação em Excesso: O jogo adota um foco excessivo na ação, com explosões e sequências de perseguição de quick-time event, desvirtuando a essência do survival horror de Jill Valentine em 1999. O recurso de esquiva perfeita (Dodge), embora funcional, apenas reforça essa guinada para a ação.
Conteúdo Cortado e Falta de Profundidade
RE3 Remake não é apenas mais curto que o RE2 Remake (que oferecia duas campanhas full com Leon e Claire, totalizando quatro cenários), ele é notoriamente menor que o jogo original de 1999, o que é inaceitável para um remake.
Locais Icônicos Desapareceram: Seções inteiras e queridas pelos fãs foram drasticamente reduzidas ou eliminadas:
A Torre do Relógio e o Parque sumiram completamente.
A Rua de Raccoon City, que deveria ser o grande hub de exploração, é reduzida a alguns quarteirões lineares.
Simplificação de Puzzles: Os puzzles e o backtracking inteligente, pilares do RE2R, foram minimizados. O jogo raramente te desafia a pensar e, em vez disso, te empurra para a próxima cena de ação.
Ausência de Modos Extra: A remoção do popular modo Mercenaries (Mercenários), presente no original, foi outro golpe na longevidade e no valor de replay do título.
Veredito Final: Um Passo Atrás
Resident Evil 3 Remake não é um jogo ruim, tecnicamente falando. A RE Engine continua deslumbrante, Jill e Carlos são ótimos, e as sequências de boss são visualmente impactantes.
No entanto, o jogo falha miseravelmente em seu objetivo principal: ser um remake tão profundo, aterrorizante e completo quanto seu predecessor imediato. A pressa no desenvolvimento é evidente no conteúdo cortado e na mudança de foco do survival horror tático para o thriller de ação.
É uma decepção amarga, um lembrete de que, às vezes, a qualidade exige mais tempo do que o cronograma de um ano pode permitir.
Nota Final do Blog: 6.5/10 - Um jogo de ação divertido, mas um remake lamentável de um clássico do survival horror. O Nemesis merecia mais.
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ASS:Henrique P.Brandão-ADMIN