Assim, Len Wiseman - diretor camarada, com quem a Sony está habituada a trabalhar na série Anjos da Noite - teve a impossível tarefa de tentar equiparar-se a Verhoeven. Obviamente, não conseguiu. O filme abusa dos melhores efeitos especiais e eleva a ação do original à décima potência, com a edição de Christian Wagnerusando a velocidade para supervalorizar as coreografias de luta e perseguições, como já havia feito em suas colaborações igualmente frenéticas com Michael Bay eJustin Lin.
Sobra deslumbre visual, mas falta estofo. O longa tira da história seus elementos mais psicodélicos, que davam boa parte do charme do original. Fica a estrutura, mas saem os mutantes, os telepatas, os alienígenas e Marte no remakepara entrar a disputa por territórios em um planeta devastado por uma guerra química. Curiosamente, foi mantida a famosa "prostituta dos três peitos" do original, algo que não faz sentido, já que os mutantes foram removidos da nova história, que preza pelo realismo. Puro"fan service" (que reduz o fã do original a um fetichista) e uma menção, entre algumas outras, do filme de Verhoeven apenas como alívio cômico.
O abismo entre os dois protagonistas - Arnold Schwarzenegger e Colin Farrell - também é demérito ao novo. Um é o maior ícone do cinema de ação de todos os tempos. O outro é esforçado, mas problemático. Bom ator, mas não tem o carisma necessário para segurar um filme assim. Enquanto Schwarzenegger fazia caras e bocas e gritava com seu sotaque carregado, Farrell se esforça para parecer perdido e aflito, o que ajuda a dar a impressão que este O Vingador do Futuro se leva a sério demais.
A ficção científica costumava olhar para o futuro com uma mistura de fascínio, preocupação e otimismo. Mestres como Isaac Asimov e Arthur C. Clarke ajudaram a evoluir a raça humana através de seus sonhos. Philip K. Dick, por sua vez, era o oposto disso; a nova geração, obcecada com as drogas sintéticas e que via o futuro do planeta (e além) com enorme pessimismo. Suas ideias foram, em parte, o berço do movimento cyberpunk - e o novo Vingador do Futuro acompanha isso. Por esse lado, o remakeé mais próximo das visões de K. Dick e do "alta tecnologia, baixa qualidade de vida" do sub-gênero criado por William Gibson. É mais sombrio, mais realista, mas muito menos divertido.
Talvez se eu não conhecesse - e adorasse - o filme de 1992, poderia até me empolgar mais com a refilmagem. Afinal, a estrutura básica da trama é igualzinha, Kate Beckinsale está surtada e eu poderia ver o brilhante Bryan Cranston (o novo Cohaagen) até em comercial de pasta de dente. Mas a ausência de qualquer inovação verdadeira, de criatividade, faz com que este O Vingador do Futuro pareça uma versão escovada com palha de aço do original.
Fontes:Omelete
Creditos:Onaga
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