Critica: Os Defensores - 1ª Temporada
Os Defensores é situada depois dos eventos vistos em todas as produções anteriores e consegue limpar o paladar após a fraca Punho de Ferro. Pra não ser injusto, ressalto logo de cara que a dupla Danny (Finn Jones) e Luke Cage (Mike Colter) é um dos melhores aspectos da produção (e que certamente vai deixar os fãs de Power Man and Iron Fist bastante felizes). Isso indica também que os problemas do quarto exemplar da saga estavam muito mais no comando do péssimo showrunner Scott Buck (que felizmente foi trocado) do que no personagem em si.
Na série, um evento catalisado pela vilã Alexandra (Sigourney Weaver) – que tem uma importância proeminente no Tentáculo – inadvertidamente faz com que os erráticos caminhos de Matt, Jessica, Luke e Danny se cruzem. Assim, os dois primeiros episódios (de oito) gastam um necessário, mas bem utilizado tempo para justificar a junção do grupo, algo que é feito com inventividade e coerência considerando as tramas das séries anteriores, em vez de apenas usar a enfermeira Claire Temple (Rosario Dawson) para a tarefa (ela é útil, mas não é exclusivamente responsável pelo feito).
Mas o melhor do começo de Os Defensores nem é a união do time em si, e sim os percalços e conflitos gerados pelas personalidades de cada herói e a patente falta de sinergia entre eles. Além da mencionada excelente dinâmica de Danny e Luke (que também começa com estranhamento), destaque vai para o retorno de Jessica Jones (Krysten Ritter), cujo humor ácido está mais afiado do que nunca. Cética, cínica e desbocada, ela protagoniza os momentos mais inspirados desses quatro primeiros episódios, fazendo o papel do espectador ao questionar o “misticismo” que permeia a trama e até mesmo os nomes vindos dos quadrinhos como “Tentáculo” (Hand) e “O Imortal Punho de Ferro”. Já o relutante Matt Murdock de Charlie Cox carrega o peso necessário para se tornar o líder, especialmente por ele ser o mais envolvido em tudo (claro, pois ele já teve uma temporada a mais).
Em termos de produção, apenas achei desnecessário o uso forçado de filtros e transições entre as cenas de cada herói para “reforçar” que estamos essencialmente vendo quatro universos distintos. É de certa forma ilógico conceber que a Nova York roxa e noir de Jessica Jones fica situada naquela amarela e ensolarada de Luke Cage ou na escura e rubra de Demolidor. Algo que funcionava em cada produção isoladamente, apenas evidencia que aqui o recurso foi utilizado de forma exagerada, especialmente quando os quatro se encontram num restaurante chinês que acaba virando uma boate de tantas cores que o design de produção quis colocar no mesmo ambiente para “retratar” a junção daquela turma.
Isso, porém, vira apenas um detalhe a partir do momento em que os quatro percebem estar do mesmo lado e protagonizam uma eletrizante cena de luta (num corredor, é claro). Em seus momentos isolados ou em duplas, é possível ver como as habilidades de cada um dos Defensores foi sabiamente utilizada pelos coreógrafos de luta, em sequências que mostram também o cuidado dos diretores com a geografia de cada cena, permitindo que o espectador compreenda o que está acontecendo em meio ao caos.
Os Defensores amplia a mitologia introduzida lá atrás na ótima Demolidor e traz exatamente aquilo que a gente queria ver numa série que reúne quatro heróis. Além disso, é possível assistir a essa série sem ter necessariamente visto todas as outras (embora algumas referências sejam obviamente perdidas), já que o roteiro é expositivo apenas no que é necessário para instruir ou relembrar acontecimentos passados.
Créditos: Nero
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