Plataforma Original: PS2 | Desenvolvedora: Sucker Punch | Lançamento: 2005
Sly 3 não tenta reinventar a roda, mas sim polir cada engrenagem dela. Após os eventos dramáticos de Sly 2, a gangue se vê diante do seu maior desafio: invadir o Cooper Vault, o gigantesco cofre na Ilha Kaine onde a família de Sly guardou suas riquezas e segredos por gerações. O problema? O local está cercado pelo exército do vilão Dr. M.
1. A Trama: Estilo "Onze Homens e um Segredo"
Para invadir um local impenetrável, Sly, Bentley e Murray percebem que apenas três pessoas não são suficientes. O foco de Sly 3 é o recrutamento.
Novos Aliados: Você viaja pelo mundo para convencer novos membros a se juntarem à gangue. Temos o místico Guru, a especialista em RC Penelope, o ex-vilão Panda King e até o icônico Dimitri.
Evolução de Personagem: Vemos um Bentley mais confiante (mesmo na cadeira de rodas), um Murray tentando encontrar paz espiritual e um Sly lidando com o legado de seu nome e seus sentimentos por Carmelita Fox.
2. Gameplay: Variedade Absurda
Este é, sem dúvida, o jogo mais diversificado da franquia.
Múltiplos Personagens Jogáveis: Cada novo membro da gangue traz uma jogabilidade única. Você vai desde batalhas de aviões e combates navais até o uso de habilidades místicas para possuir inimigos.
Sem Coletáveis Infinitos: Diferente do segundo jogo, aqui o foco é total na narrativa e nas missões. Isso torna o ritmo da história muito mais ágil.
Minijogos e Multiplayer: O jogo introduziu modos de combate split-screen e até um modo 3D (que vinha com óculos de papel na época), mostrando que a Sucker Punch queria entregar tudo o que o PS2 podia oferecer.
3. Atmosfera e Visual
O estilo cel-shading (que parece um desenho animado) atingiu sua perfeição técnica aqui. As cidades (Veneza, Holanda, China) são vibrantes e cheias de detalhes. A trilha sonora continua sendo aquele jazz de espionagem impecável que faz você se sentir o ladrão mais estiloso do mundo.
4. A Expansão do Time: Mais que Simples Coadjuvantes
O grande diferencial de Sly 3 é a sensação de que a ameaça do Dr. M é grande demais para apenas três pessoas. Isso introduz a mecânica de recrutamento, que traz um peso narrativo e de gameplay inéditos:
O Guru e a Mística: Murray viaja até a Austrália para encontrar seu mentor. O Guru não usa violência direta; ele usa habilidades místicas para possuir a mente dos inimigos, permitindo que você os controle. Isso mudou completamente a estratégia de infiltração.
Penelope e o Suporte Técnico: A entrada de Penelope trouxe uma nova dinâmica para Bentley (incluindo um interesse romântico). Suas habilidades com veículos de controle remoto (RC) adicionaram fases de corrida e combate aéreo que quebraram a monotonia do platforming tradicional.
O Panda King e a Redenção: Este é um dos arcos mais marcantes. Recrutar um dos vilões do primeiro jogo (o assassino do pai de Sly) trouxe uma tensão incrível. Ver Sly tendo que superar o passado em prol de um objetivo maior deu uma maturidade rara ao roteiro.
Dimitri: O icônico vilão de Sly 2 retorna como o mergulhador da equipe, sendo essencial para as missões subaquáticas. Sua personalidade "Greasy Sweet" é o alívio cômico perfeito.
5. Inovação Social: O Modo Multiplayer
Pela primeira vez na franquia, a Sucker Punch decidiu que a diversão não precisava ser solitária. O modo Multiplayer foi uma adição corajosa que aproveitou as mecânicas únicas do jogo:
Duelos Variados: Você podia enfrentar um amigo em batalhas de biplanos (Cops and Robbers), disputas de hacking com o Bentley ou até duelos navais épicos com galeões.
Extensão da Vida Útil: Para um jogo focado em história, o multiplayer deu aos jogadores um motivo para manter o disco no PS2 por muito mais tempo. Era a chance de provar quem era o melhor mestre do stealth ou o melhor piloto da gangue.
Inclusividade: O multiplayer permitia que jogadores experimentassem os novos personagens de forma competitiva, algo que não era possível nos títulos anteriores, solidificando a ideia de que a "Gangue Cooper" agora era uma comunidade.
Veredito Final (Resenha Retrô)
Sly 3: Honor Among Thieves é o encerramento perfeito. Ele amarra todas as pontas soltas, entrega as melhores batalhas contra chefes da série e termina com um dos finais mais satisfatórios e charmosos da era 128-bits. É um jogo sobre amizade, perdão e, claro, sobre como é divertido ser um ladrão de elite.
Nota da Resenha Retrô: 9.5/10 – Uma obra-prima do gênero plataforma/stealth.
Créditos: Henrique


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