Plataforma Original: PlayStation 1 | Desenvolvedora: Capcom | Lançamento: 1998
Se o primeiro jogo nos trancou em uma mansão, Resident Evil 2 nos jogou no caos de uma cidade em colapso. Com a direção de Hideki Kamiya e produção de Shinji Mikami, o jogo expandiu tudo: a história, o horror e, principalmente, a jogabilidade com o inovador "Sistema Zapping".
1. Gameplay: O Sistema Zapping
A grande genialidade de RE2 é como ele utiliza seus dois discos e dois protagonistas: Leon S. Kennedy e Claire Redfield.
Cenários A e B: O que você faz com um personagem no "Cenário A" afeta a jornada do outro no "Cenário B". Se você pegar um item ou matar um inimigo específico, ele não estará lá para o próximo, criando uma narrativa entrelaçada.
Progressão: O jogo mantém os tanques de controle e as câmeras fixas, mas os ambientes são muito mais variados, indo da icônica delegacia (RPD) até esgotos e laboratórios subterrâneos.
2. O Elenco e a Atmosfera
Leon (o policial novato no pior primeiro dia de trabalho da história) e Claire (a estudante em busca do irmão Chris) trazem motivações humanas para o meio do apocalipse zumbi.
Inimigos Memoráveis: O jogo introduziu o Licker, com seu design aterrorizante e língua afiada, e o implacável Mr. X (Tyrant), que persegue o jogador no cenário B, gerando uma tensão constante que o primeiro jogo não tinha.
Personagens de Suporte: A introdução de Ada Wong e da pequena Sherry Birkin adicionou camadas de mistério e urgência emocional à trama.
3. Visual e Som
Os cenários pré-renderizados de RE2 eram o ápice do que o PS1 podia entregar em 1998. A delegacia, que antes era um museu, é um dos cenários mais bem desenhados da história dos games. A trilha sonora de Masami Ueda usa o silêncio e tons industriais para criar um desconforto permanente.
📜 A História: A Conspiração da Umbrella
A trama escala rapidamente de um incidente isolado para uma conspiração biológica global. Descobrimos o G-Vírus, criado por William Birkin, que causa mutações muito mais grotescas e instáveis que o T-Vírus original. A luta não é apenas pela sobrevivência, mas para expor a responsabilidade da corporação Umbrella na destruição de Raccoon City.
O Impacto no Brasil
Resident Evil 2 foi o jogo que fez muita gente comprar um PlayStation no Brasil. Era o título obrigatório das locadoras. A imagem do Leon e da Claire de costas um para o outro na capa do CD é uma das mais icônicas da "Geração 32 bits" por aqui. Quem não lembra do desespero de entrar em uma sala e ouvir o som das garras de um Licker no teto?
Arquivo Extra: O Que Ficou Nas Sombras de RE2
1. O Lendário Resident Evil 1.5 (A Versão Descartada)
Antes do jogo que conhecemos, existiu uma versão completada em cerca de 70-80% que foi inteiramente descartada por Shinji Mikami por não ser "estimulante" o suficiente.
Elza Walker: No lugar de Claire Redfield, a protagonista era uma universitária motociclista sem ligação com Chris Redfield.
Visual: Os cenários eram muito mais modernos e metálicos, parecendo um prédio de escritórios atual, perdendo aquele tom gótico/museu da delegacia final.
Legado: Hoje, graças a fãs e vazamentos de protótipos, o "RE 1.5" é uma peça de museu digital jogável, servindo de base para vários easter eggs no Remake de 2019.
2. O Quarto Sobrevivente (The 4th Survivor)
Este mini-game apresentou um dos personagens mais enigmáticos da franquia: HUNK, o agente da Umbrella.
Desafio: Diferente da campanha principal, aqui o foco é puramente a habilidade de desviar. Você começa no esgoto e deve chegar ao heliporto com recursos limitadíssimos.
豆腐 (Tofu): Ao completar as missões com ranking alto várias vezes, você desbloqueia o The Tofu Survivor, onde joga com um pedaço gigante de queijo japonês armado apenas com uma faca. É o teste de paciência definitivo para qualquer fã.
3. Extreme Battle Mode
Introduzido nas versões posteriores (como a DualShock Edition), este modo trouxe um elemento de "arcade" para o terror.
Personagens: Além de Leon e Claire, você podia jogar com Ada Wong e até com o próprio Chris Redfield (com o modelo do primeiro jogo).
Objetivo: O jogador deve atravessar várias áreas infestadas para desarmar bombas biológicas, focando em velocidade e combate, sendo o precursor espiritual do modo The Mercenaries.
Veredito Final (Resenha Retrô)
Resident Evil 2 é a sequência perfeita. Ele pega a base sólida do original e eleva a escala para o nível cinematográfico. É um jogo de ritmo impecável, com fator replay altíssimo graças aos quatro cenários possíveis e aos extras como o modo "The 4th Survivor" com HUNK.
Nota da Resenha Retrô: 10/10 – O Rei do Survival Horror.
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