Resenha de Game: Sly Cooper: Thieves in Time (PS3)

 

Desenvolvimento: Sanzaru Games | Publicação: Sony Computer Entertainment | Plataformas: PS3, PS Vita | Ano: 2013

Lançado em 2013 para PlayStation 3 e PS Vita, Sly Cooper: Thieves in Time (Sly 4) tinha a ingrata missão de resgatar o guaxinim ladrão mais famoso dos videogames após um hiato de sete anos. Desenvolvido pela Sanzaru Games — assumindo o bastão deixado pela Sucker Punch —, o título entregou uma aventura vibrante e cheia de fanservice, embora tenha tomado decisões narrativas que dividem a comunidade até hoje.


1. A Premissa: Viagem no Tempo e o Resgate do Legado

A trama começa quando as páginas do Thievius Raccoonus — o livro sagrado que registra as técnicas de roubo do clã Cooper — começam a desaparecer misteriosamente. Bentley descobre que alguém está alterando a linha do tempo para erradicar os ancestrais de Sly.

A jornada de viagem no tempo é o grande charme do jogo. Controlar o bando (Sly, Bentley e Murray) enquanto viajamos pelo Japão Feudal, Oeste Selvagem, Idade da Pedra e Inglaterra Medieval é visualmente espetacular. Além disso, a possibilidade de jogar com os próprios ancestrais de Sly (como Rioichi Cooper e Tennessee Kid Cooper) traz mecânicas únicas e renova o gameplay de plataforma.



2. Gameplay Variado e o Brilho no PS Vita

A Sanzaru Games capturou com precisão a física, o estilo de esgueirar-se pelas sombras e o tom de "desenho animado de sábado de manhã" da franquia.

  • Mecânicas dos Ancestrais: Cada ancestral possui habilidades exclusivas — desde andar sobre cordas esticadas com velocidade impecável até disparar tiros de precisão à distância.

  • Diversidade de Minigames: Bentley continua entregando hacks em estilo shoot 'em up retro, enquanto Murray garante os momentos de combate direto e força bruta.

  • Cross-Play Perfeito: No PS Vita, o jogo era uma verdadeira vitrine técnica, oferecendo gráficos idênticos aos do PS3 e suporte a transferência de saves em tempo real.

3. O Ponto Fraco: Descaracterização e o Cliffhanger Imperdoável

Apesar da excelente jogabilidade de plataforma, Sly 4 tropeça feio em dois pontos cruciais da narrativa:

  • Roteiro e Personagens: A escrita perdeu parte do charme e da maturidade das produções da Sucker Punch. O arco de Carmelita Fox e Penelope tomou rumos questionáveis que desagradaram aos fãs antigos.


  • O Final Aberto: O jogo termina em um cliffhanger (gancho) massivo envolvendo o destino de Sly no Egito Antigo. Como o título não atingiu as metas de vendas esperadas pela Sony, a franquia entrou em um hiato indefinido, deixando a história sem um desfecho oficial por mais de uma década.

CategoriaAvaliação da ESSBNews
Visual & Estilo Artístico9.0/10 — Estética em cel-shading lindíssima que envelheceu como vinho.
Design de Níveis & Gameplay8.5/10 — A inclusão dos ancestrais e a exploração dos mapas são impecáveis.
Narrativa & Roteiro6.5/10 — Personagens descaracterizados e um final incompleto frustrante.

Sly Cooper: Thieves in Time é um excelente jogo de plataforma 3D que homenageia a era de ouro do gênero no PS2. Embora peque no desenvolvimento de roteiro e carregue a dor de um final aberto nunca resolvido, continua sendo uma viagem extremamente divertida e nostálgica.

Nota do Jogo: 8.0/10 — Divertido, carismático e injustiçado pelo tempo.

Créditos: Henrique

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