esenha de Série: Lanternas (Temporada 1, Ep. 5–8) – O Salto Temporal, o Halogram e um desfecho amargo


Exibição: HBO / Max | Elenco: Kyle Chandler (Hal Jordan), Aaron Pierre (John Stewart), Kelly Macdonald (Xerife Kerry), Nathan Fillion (Guy Gardner), Ulrich Thomsen (Sinestro) | Direção/Roteiro: Damon Lindelof, Tom King, Chris Mundy | Ano: 2026

Os quatro últimos episódios da primeira temporada de Lanternas (Lanterns) entregam uma verdadeira montanha-russa de emoções, saltos temporais e reviravoltas de impacto — terminando, contudo, em uma escolha de roteiro polêmica e profundamente divisiva no seu capítulo final.

1. Episódios 5 ao 7: A Virada tática, o Halogram e a caçada

O segundo bloco da temporada eleva o nível narrativo com decisões ousadas que reinventam a dinâmica de buddy cop:

  • Ep. 5 ("Luzes Apagadas"): A tensão atinge o pico quando Hal Jordan entra em desespero com a ameaça de perder o anel. A revelação de Zoe como o Manhunter infiltrado em Rushville culmina em um embate visceral — ao morrer, seu coração cristalizado em diamante desvenda a natureza artificial da ameaça. Abatido pelas escolhas cinzentas de Hal, John Stewart entrega seu anel temporariamente.

  • Ep. 6 ("Pega Mal"): O grande acerto da temporada. O salto temporal de 10 anos choca ao revelar a morte de Hal Jordan, desacreditado e esquecido após cumprir pena. O retorno de John Stewart, a introdução do carismático Guy Gardner (Nathan Fillion) e o desenterro do caixão criam o momento mais brilhante do show: ao ativar o anel de 5% de bateria, nasce o Halogram — a IA com a consciência sarcástica de Hal, cuja primeira palavra ao ver o próprio cadáver é um seco e perfeito "Merda".

  • Ep. 7 ("O Legado dos Jordans"): Um mergulho emocional no passado do jovem Hal (1975) e na dor da depressão geracional de seu pai. Na jornada interplanetária ao planeta morto Antaan, a sintonia entre John e o Halogram brilha no confronto alucinógeno e na resolução inteligente ao som de música para nocautear e desmascarar Sinestro (Ulrich Thomsen) no gancho final.

2. O Episódio 8 ("Terra e Estrelas"): A Derrocada Final

Se a construção até o penúltimo capítulo mantinha um ritmo policial-fantástico exemplar, a season finale tropeça feio ao tentar forçar um "misterioso assassinato familiar" de True Detective na mitologia cósmica da DC.

  • A Revelação Manca: Descobrir que Hal Jordan foi assassinado de forma quase banal pela Xerife Kerry Kane — apenas para proteger seu filho Noah (o segundo Manhunter biológico) — reduz um dos maiores heróis do universo a uma vítima de desespero doméstico sem peso heroico.

  • O Desrespeito à Franquia: O desfecho ignora o trabalho clássico que Geoff Johns estabeleceu nos anos 2000 ao reformular a Tropa dos Lanternas Verdes. Ao fazer John Stewart aceitar uma bateria envenenada com energia amarela, negar o dever da Tropa e recitar um juramento alterado sob a justificativa de "abraçar o medo", a série demonstra uma clara desconexão dos roteiristas com a essência moral, a disciplina e a força de vontade do personagem.

  • A Despedida de Hal: O único ponto de alívio no final é a despedida bem-humorada do Halogram, que engana John para ouvi-lo dizer "eu te amo" antes de se apagar, enquanto Sinestro escapa para plantar as sementes da futura Tropa dos Lanternas Amarelos.

Até o seu sétimo episódio, Lanternas sustentava uma das narrativas mais fascinantes e corajosas da nova fase da DC na televisão, impulsionada pela excelente sacada da IA do Halogram. Contudo, o episódio final desmorona a experiência ao tentar encaixar a grandeza da Tropa em um dramalhão policial genérico, descaracterizando John Stewart e ignorando as bases fundamentais da franquia.

Nota Geral do Bloco (Ep. 5 a 7): 7.5/10 — Excelente construção sci-fi/policial.

Nota do Episódio Final (Ep. 8): 1.0/10 — Uma conclusão frustrante que desrespeita o cânone e os fãs.

Créditos: Henrique

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