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Wild Cards, livro 01: O Começo - de George R.R Martin

 


Wild Cards é um projeto literário fascinante e um pouco diferente do que muita gente imagina quando associa o nome de George R. R. Martin. Embora ele seja o editor-chefe e coordenador do universo, não é exatamente “um livro dele” — é uma antologia compartilhada, escrita por vários autores, todos trabalhando no mesmo mundo e sob a supervisão dele.

É uma série de livros de ficção científica que começou em 1987, ambientada em um mundo alternativo onde um vírus alienígena — o Vírus Wild Card — foi liberado sobre a Terra em 1946.

Esse vírus tem três efeitos possíveis:

  • “Mortos”: 90% morrem instantaneamente.

  • “Curingas” (Jokers): 9% sobrevivem, mas sofrem mutações deformantes.

  • “Áses” (Aces): 1% ganha poderes incríveis, variando de súper-força a habilidades completamente imprevisíveis.

Isso cria uma sociedade dividida e cheia de conflitos sociais, políticos e humanos. Diferente de quadrinhos como Marvel ou DC, Wild Cards é:

  • Mais cru, realista e às vezes sombrio;

  • Focado em consequências sociais e políticas dos superpoderes;

  • Com tramas adultas, sutis e complexas;

  • Personagens vulneráveis e profundamente humanos.

Foi descrito como:

“O que aconteceria se o mundo real tivesse super-heróis?”

A história do Vírus Wild Card

O universo de Wild Cards começa em 1946, quando uma nave alienígena do povo Takisiano chega à Terra. Eles estavam conduzindo um experimento genético que deveria criar seres superpoderosos — e o planeta escolhido como “laboratório” foi a Terra.  A liberação do vírus ocorre por acidente (e também por conspiração política), e o mundo muda para sempre. O epicentro é Nova York, especialmente a região que se tornará o Jokertown, lar dos mutantes excluídos.

O primeiro volume é um romance-mosaico — um livro onde diferentes autores escrevem capítulos conectados, mas com narrativas próprias.

O que ele abrange:

  • A chegada dos alienígenas

  • A explosão do vírus sobre Manhattan

  • As mudanças políticas após o desastre

  • A formação dos primeiros heróis (Jetboy, Tachyon, Croyd Crenson, Turtle)

  • A criação de Jokertown

  • O surgimento de conflitos entre Ases, Curingas e humanos “normais”

Ele conta 40 anos de história (de 1946 aos anos 80), sempre mostrando o impacto do vírus na sociedade real. A sociologia é talvez o coração da série. O vírus Wild Card não só transforma pessoas fisicamente — ele transforma toda a sociedade. Isso cria metáforas para:

  • Racismo

  • Xenofobia

  • Segregação urbana

  • Efeitos psicológicos do preconceito

  • Estigmatização de minorias

  • Populações marginalizadas em grandes cidades

Os Jokers vivem em áreas isoladas, geralmente pobres e esquecidas. É um reflexo direto de:

  • favelas

  • guetos

  • bairros racialmente segregados
    Ele funciona como um espelho das desigualdades reais da sociedade americana.

Ter poderes não significa ter vida fácil. Pelo contrário:

  • Alguns Ases são explorados pela mídia

  • Outros pelo governo

  • Alguns são tratados como armas vivas

  • Outros são demonizados como monstros

O vírus vira uma lente para estudar como a sociedade reage ao diferente.

A proposta original: subverter o gênero de super-heróis

No início dos anos 1980, Martin e seus amigos escritores eram fãs de RPG, principalmente o jogo Superworld, onde eles criaram campanhas longas e complexas.

Eles perceberam que:

A maioria das histórias de super-heróis era simplificada, infantilizada ou moralmente rasa.

Então decidiram criar algo totalmente diferente:

  • realista

  • politicamente consciente

  • sociologicamente profundo

  • com consequências reais

  • com um olhar adulto e maduro

Ou seja, um mundo onde superpoderes geram mais problemas do que soluções.

Créditos: Henrique 

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