Resenha de HQ: Os Supremos (Volume 1) – Heróis para o Novo Milênio

 


Roteiro: Mark Millar | Arte: Bryan Hitch | Ano: 2002 - 2004

Para elevar o nível do nosso arquivo de HQs, vamos falar da obra que mudou o curso da Marvel nos anos 2000 e serviu de fundação visual para o que conhecemos hoje como o MCU (Universo Cinematográfico Marvel). Os Supremos (The Ultimates), de Mark Millar e Bryan Hitch, não é apenas uma história de super-heróis; é um épico de guerra, política e celebridades.

Lançado dentro da linha Ultimate Marvel, este título teve a missão de reimaginar os Vingadores para uma nova geração, livre de décadas de cronologia confusa. O resultado foi uma versão crua, cínica e extremamente realista dos heróis mais poderosos da Terra.


1. Heróis ou Armas de Destruição em Massa?

Diferente da versão clássica, os Supremos são uma força tarefa militar financiada pelo governo dos EUA e liderada por Nick Fury.

  • Capitão América: Aqui, Steve Rogers é um soldado de 1940 real — pragmático, durão e por vezes politicamente incorreto.

  • Homem de Ferro: Tony Stark é um bilionário excêntrico que faz o que faz pelo desafio e pela adrenalina, com uma armadura que parece tecnologia militar experimental de ponta.

  • Hulk: Esqueça o monstro incompreendido; aqui ele é uma força da natureza aterrorizante, movida por desejos básicos e fúria assassina.

2. O Estilo "Widescreen" de Bryan Hitch

A arte de Bryan Hitch revolucionou a indústria na época. Ele trouxe o conceito de "quadrinhos cinematográficos". Cada página parece o frame de um filme de alto orçamento. O detalhismo nas feições (Nick Fury foi redesenhado à imagem de Samuel L. Jackson aqui, muito antes do filme!), nos uniformes táticos e na destruição das cidades deu um senso de escala que nunca havia sido visto.

3. Sátira e Cultura Pop

Mark Millar recheou a história com diálogos ácidos sobre política internacional e celebridades. Os heróis discutem quem os interpretaria em um filme de Hollywood e lidam com problemas de ego e divórcio. É uma visão "pé no chão" que questiona: como o mundo reagiria se deuses e monstros realmente existissem e trabalhassem para o governo?

Curiosidade: O Nascimento do MCU

Se você ama os filmes da Marvel, deve tudo a esta HQ. A personalidade do Tony Stark de Robert Downey Jr., o conceito dos Chitauri como invasores em Nova York e o próprio visual do Nick Fury saíram diretamente das páginas de Os Supremos. Sem Millar e Hitch, os Vingadores do cinema seriam muito diferentes.

Para os leitores brasileiros, Os Supremos foi o carro-chefe da revista Marvel Ultimate (Panini). Foi a HQ que trouxe muitos leitores de volta para as bancas, pois não exigia que você soubesse o que aconteceu em 1960 para entender a história. É leitura obrigatória para quem quer ver o lado mais "sombrio e realista" da Marvel.


Veredito Final (Resenha de HQ)

Os Supremos é um marco. Pode ser polêmico por seu cinismo, mas é inegavelmente bem escrito e ilustrado. É a ponte definitiva entre os quadrinhos clássicos e o cinema moderno.

Nota da Resenha: 9.5/10 – Um blockbuster em papel e tinta.

Créditos: Henrique

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