Resenha Retrô: The Legend of Zelda: Majora’s Mask (N64) – O Relógio do Apocalipse

 


Plataforma Original: Nintendo 64 | Desenvolvedora: Nintendo | Ano: 2000

Após os eventos de Ocarina of Time, Link parte em uma busca pessoal por uma amiga perdida (Navi) e acaba sendo emboscado pelo Skull Kid, que porta a amaldiçoada Máscara de Majora. Link é levado para o mundo de Termina, onde a Lua está prestes a colidir com a terra em exatamente 72 horas.


1. A Tirania do Tempo

O coração de Majora’s Mask é o seu ciclo de 3 dias.

  • O Relógio: Você tem cerca de 54 minutos de tempo real para completar objetivos antes que a Lua caia. Isso cria uma tensão constante que nenhum outro Zelda possui.

  • A Canção do Tempo: Você deve tocar a Ocarina para voltar ao primeiro dia constantemente, perdendo itens consumíveis mas mantendo armas e máscaras. É um jogo de repetição e aprendizado, onde você decora a rotina de cada habitante de Termina.




2. O Sistema de Máscaras (Transformação)

Link pode usar máscaras que mudam sua forma física e habilidades:

  • Deku: Para planar e atirar bolhas.

  • Goron: Para rolar em alta velocidade e força bruta.

  • Zora: Para nadar com agilidade impressionante. A jornada para conseguir cada uma dessas máscaras é carregada de peso emocional, pois elas geralmente contêm a alma de um herói que faleceu.



3. A Temática Sombria e Profunda

Majora’s Mask é, para muitos, um estudo sobre as Cinco Etapas do Luto (Negação, Raiva, Barganha, Depressão e Aceitação), representadas pelas cinco áreas do mapa. Os diálogos são tristes, os personagens estão desesperados e a face da Lua, com seus olhos vermelhos e sorriso macabro, é uma das imagens mais aterrorizantes da história da Nintendo.


Curiosidade: O Desafio do Expansion Pak

Este foi um dos poucos jogos que exigiam o Expansion Pak (o cartucho que aumentava a memória RAM do N64). Sem ele, o console não conseguia processar a quantidade de personagens na tela e a complexidade do mundo dinâmico de Termina. Foi um marco técnico que permitiu efeitos de desfoque e luz muito avançados para o ano 2000.

Nas locadoras brasileiras, Majora’s Mask era o jogo "difícil e estranho". Muita gente desistia nas primeiras horas por não entender o ciclo do tempo, mas quem persistia descobria uma das histórias mais ricas e recompensadoras de todos os tempos. É o Zelda favorito de quem busca profundidade psicológica além da aventura padrão.



Diferente de qualquer outro título da Nintendo, Majora’s Mask não é apenas um jogo de aventura; é um simulador de ansiedade e luto. O "peso" aqui não vem de sangue ou vísceras, mas de uma opressão psicológica constante que permeia cada pixel de Termina.

4. O Peso do Relógio (A Pressão do Inevitável)

A atmosfera é pesada porque você nunca está "livre". O cronômetro na parte inferior da tela é um lembrete perpétuo de que o tempo está acabando.

  • O Som da Destruição: No terceiro dia, a música acelera e o solo começa a tremer. Os cidadãos começam a entrar em pânico ou a aceitar a morte de forma resignada. É uma carga emocional que cansa o jogador, criando uma urgência real e desconfortável.



5. Temas Adultos em um Mundo de Fantasia

O jogo aborda temas que raramente vemos em Zelda:

  • Depressão e Abandono: Vemos personagens perdendo a esperança, como o mestre do Dojo que se esconde em posição fetal no último dia, ou a subtrama dos noivos Anju e Kafei, que é um dos contos mais tristes e pesados sobre amor e despedida.

  • A Morte Onipresente: Cada máscara principal de transformação pertence a alguém que morreu sofrendo. Link literalmente usa os rostos de cadáveres para salvar o mundo, uma metáfora visual fortíssima sobre carregar o peso dos que já se foram.



6. A Estética do Bizarro

Tudo em Termina parece levemente "errado". Desde o sorriso distorcido da Lua até as transformações de Link (que solta gritos de agonia toda vez que coloca uma máscara), o jogo flerta com o Horror Surrealista. É uma atmosfera de pesadelo lúcido, onde o familiar se torna estranho e ameaçador.


Veredito Final (Resenha Retrô)

Majora’s Mask é uma obra de arte única. Ele reaproveita os gráficos de Ocarina of Time, mas cria uma atmosfera completamente diferente: densa, bizarra e inesquecível. É um jogo que te faz valorizar cada segundo.

Nota da Resenha Retrô: 10/10 – Uma obra-prima do surrealismo nos games.

Créditos: Henrique

Nenhum comentário: