Se existe uma fase que definiu os anos 2000 na DC Comics, foi a gestão de Geoff Johns à frente do Lanterna Verde. No entanto, o que deveria ser um tratamento de luxo para uma das maiores sagas da editora, tornou-se um labirinto de erros e falta de planejamento por parte da Panini Comics Brasil.
1. O Preconceito com o Formato e a "Ditadura" da Arlequina
A revolta dos fãs começou cedo. Enquanto personagens com apelo comercial imediato, como a Arlequina, recebiam atenção especial e diversos formatos, o Lanterna Verde de Johns — uma das fases mais lucrativas e elogiadas da história — ficou órfão de um encadernado de capa cartonada acessível por muito tempo. Quando a Panini finalmente decidiu agir, saltou direto para a versão Deluxe, obrigando o leitor a pagar mais caro e forçando a inclusão de Green Lantern Corps de Peter Tomasi no mesmo mix para justificar o volume da lombada. O respeito ao formato individual e ao bolso do fã passou longe.
2. Novos 52: Uma Leitura Retalhada e Incompleta
Ao chegarmos na fase dos Novos 52, o descaso se aprofundou. A Panini focou apenas nos títulos principais, ignorando a estrutura interligada que o universo dos Lanternas exigia:
Os Esquecidos: Enquanto os títulos de Johns e Tomasi saíam a preços elevados (A Vingança do Mão Negra e Guerra Alfa), as séries Novos Guardiões (de Tony Bedard) e Lanternas Vermelhos (de Peter Milligan) foram relegadas ao esquecimento, saindo apenas em formatinho mensal, que hoje são raridades de difícil acesso.
O Erro de Hickman Repetido: A Panini cometeu com o Lanterna o mesmo pecado de Infinito (Jonathan Hickman). Em vez de criar um produto unificado que respeitasse a ordem cronológica, eles fragmentaram a leitura.
3. O Crime das Sagas: Terceiro Exército e Primeiro Lanterna
As sagas Ascensão do Terceiro Exército (2012) e A Ira do Primeiro Lanterna (2013) são eventos crossover. Elas foram desenhadas para serem lidas de forma intercalada entre os quatro títulos da franquia. O que a Panini fez?
Lançou dois encadernados separados: Lanterna Verde: O Fim e Tropa dos Lanternas Verdes: Força de Vontade.
O Resultado: Uma leitura truncada. O fã precisa pular de um livro para o outro constantemente para entender a cronologia, isso quando não fica perdido por não ter em mãos as partes de Novos Guardiões e Lanternas Vermelhos, que simplesmente não foram compiladas.
Veredito
É inacreditável que uma editora do porte da Panini trate arcos tão fundamentais com tamanha desorganização. Transformar uma saga épica de ficção científica em um quebra-cabeça de encadernados caros e incompletos é um desrespeito ao consumidor. Fica o alerta para os colecionadores e a esperança de que, no futuro, a "Vontade" de entregar um trabalho bem feito supere a estratégia de retalhar títulos.
Créditos: Henrique
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