Resenha: Os Supremos Vol. II - Política, Poder e Pancadaria: Por que Os Supremos 2 é uma HQ Obrigatória

 


Escritor: Mark Millar | Arte: Bryan Hitch | Publicação: 2005-2007 (Minissérie em 13 edições)

Dando continuidade ao nosso mergulho profundo nas grandes obras que moldaram o mercado, chegamos ao que muitos consideram o ápice da linha Ultimate da Marvel. Se o Volume I foi o recrutamento, Os Supremos Vol. II (Ultimates 2), de Mark Millar e Bryan Hitch, é o colapso épico de uma ideologia.

Se você acha que os filmes dos Vingadores são a escala máxima do grupo, você precisa ler este volume. Aqui, Millar e Hitch não criaram apenas uma HQ de super-heróis; eles criaram um "blockbuster político" que questiona o papel dos EUA como polícia do mundo, utilizando meta-humanos como armas de destruição em massa.

1. A Trama: O Contra-Ataque do Mundo

Após os eventos do primeiro volume, os Supremos são celebridades globais e o braço armado da política externa americana. O problema? O resto do mundo não está feliz com uma superpotência decidindo o destino de nações com um "deus do trovão" e um "supersoldado".

  • Os Libertadores: A grande sacada de Millar é criar um grupo espelho. Formado por nações como China, Rússia, França e países do Oriente Médio, os Libertadores invadem os EUA para "desarmar" os Supremos. É uma inversão total de papéis que transforma a cidade de Nova York em um campo de batalha visceral.

2. A Queda e a Traição (Detalhes Narrativos)

Este volume é famoso por destruir o grupo de dentro para fora:

  • A Suspeita sobre Thor: Durante metade da história, o governo e a equipe são convencidos de que Thor não é um deus, mas apenas um louco com tecnologia roubada. A cena do cerco ao Thor na Noruega é uma das mais impactantes da década de 2000.

  • O Traidor Interno: A revelação de quem é o espião dentro da equipe é um soco no estômago, expondo como o complexo industrial-militar criou monstros que não podia controlar.

  • Hulk, a Arma Final: Se no Volume I o Hulk era um problema, aqui ele é a última linha de defesa, protagonizando cenas de uma violência gráfica que dificilmente seriam adaptadas para o cinema atual.



3. A Arte de Bryan Hitch (Widescreen Comics)

É impossível falar de Os Supremos 2 sem citar a arte. Bryan Hitch consolidou aqui o estilo Widescreen, onde os quadros ocupam páginas duplas com um nível de detalhamento cinematográfico.

  • Você consegue ver cada parafuso das naves invasoras e cada expressão de pavor nos civis. A batalha final em Washington é, visualmente, uma das coisas mais ambiciosas já impressas em papel.

O Mistério do Atraso: Por que Os Supremos 2 demorou tanto?

A principal razão atende pelo nome de Bryan Hitch. O desenhista levou o conceito de "detalhamento cinematográfico" a um nível obsessivo.

  • Páginas Duplas Gratuitas: Hitch não desenhava apenas personagens; ele desenhava exércitos, frotas de naves e cidades inteiras sendo destruídas com precisão arquitetônica.

  • Complexidade Visual: Cada quadro de Os Supremos 2 levava quatro vezes mais tempo para ser finalizado do que uma HQ padrão da Marvel. Na época, Hitch declarou em entrevistas que se recusava a entregar um trabalho "pela metade", o que gerou gargalos imensos na produção.

Mudanças no Roteiro de Mark Millar

Embora Millar fosse conhecido por entregar roteiros no prazo, a escala de Os Supremos 2 cresceu durante a execução.

  • A ideia original era um arco menor, mas a trama política dos Libertadores e a conspiração contra o Thor exigiram mais espaço.

  • Millar também estava envolvido em outros projetos gigantes (como o início de Civil War), e a sincronia entre o roteiro dele e o tempo de desenho de Hitch simplesmente quebrou.

A Crise da Marvel com as "Grandes Séries"

Na metade dos anos 2000, a Marvel sofreu com o que chamavam de "atrasos crônicos". Séries como Os Supremos 2 e Civil War sofriam adiamentos constantes porque a editora priorizava a qualidade visual absoluta em vez da pontualidade.

  • A edição #12 de Os Supremos 2, por exemplo, sofreu um atraso de quase seis meses em relação à edição anterior. O hiato entre as edições #12 e #13 (o épico final) foi tão grande que muitos fãs acharam que a série seria cancelada ou reiniciada.

Referências e Fontes Históricas

Se você buscar em sites especializados em histórico da indústria, encontrará esses registros:

  • Newsarama & CBR (Comic Book Resources): Durante 2006, esses sites publicavam colunas semanais apenas para atualizar o status de Ultimates 2. O termo "Hitch-time" (Tempo do Hitch) virou piada interna na indústria para descrever desenhistas que não batiam prazos.

  • Entrevistas no livro "The Ultimate Marvel Treasury": Nele, é discutido como a pressão por manter o nível do Volume I quase destruiu a saúde física de Bryan Hitch, que chegava a trabalhar 15 horas por dia em uma única página dupla de batalha.

  • Marvel Solicitations (2005-2007): Os registros de pedidos das comic shops mostram que a Marvel teve que "des-solicitar" (cancelar o pedido e pedir de novo meses depois) várias edições de Os Supremos 2 por não ter o material pronto.

Curiosidade: A Base para o MCU

Embora o MCU (Universo Cinematográfico Marvel) seja mais leve, a base visual de 2012 veio daqui. O visual de Samuel L. Jackson como Nick Fury, o Gavião Arqueiro como um agente tático da S.H.I.E.L.D. e até a ideia dos heróis sendo gerenciados pelo governo nasceram nestas páginas.

Embora a série tenha começado em dezembro de 2004 (com data de capa de 2005) e estivesse prevista para ser mensal, a edição final (#13) só chegou às bancas americanas em maio de 2007.

Veredito Final (Resenha Detalhada)

Os Supremos Vol. II é superior ao primeiro em todos os aspectos. É mais tenso, mais político e visualmente impecável. É o encerramento perfeito para a era de ouro da linha Ultimate antes da queda de qualidade que viria anos depois.

Nota da Resenha: 10/10 – Obra-prima indispensável.

Créditos: Henrique

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