Escritor: Grant Morrison | Arte: Andy Kubert | Publicação: 2006 (Batman #655–658)
A premissa da história vira o mundo de Bruce Wayne de cabeça para baixo. Após uma batalha exaustiva contra o Coringa, Bruce é convencido por Alfred a tirar férias fora de Gotham. É nesse momento que Talia al Ghul, filha do líder da Liga dos Assassinos, reaparece com uma surpresa: ela apresenta a Bruce o seu filho legítimo, Damian Wayne, cuja existência o herói desconhecia completamente.
Quem é Damian Wayne? (O Choque Cultural)
Damian não é um garoto comum de dez anos. Ele foi gerado artificialmente em um útero de laboratório e criado pela Liga dos Assassinos para ser o guerreiro perfeito e o herdeiro de dois impérios: o de Ra's al Ghul e o do Batman.
O Antagonismo Inicial: Damian chega à Batcaverna mimado, arrogante, violento e sem qualquer filtro moral. Ele foi treinado para matar, o que colide diretamente com a regra sagrada do Batman.
Rivalidade com Tim Drake: Para provar que é o único digno de ser o parceiro do Batman, Damian ataca brutalmente Tim Drake (o Robin da época) e chega a decapitar um vilão menor (o Spook) para "ajudar" o pai no trabalho.
A Genialidade de Grant Morrison: O Resgate do Passado
O grande mérito de Morrison nesse arco foi resgatar uma história de 1987 considerada fora da cronologia oficial: Batman: O Filho do Demônio. Morrison pegou a ideia daquela gravidez de Talia e a oficializou na linha temporal principal.
Morcego-Humano e Ação Pop: O arco equilibra perfeitamente o drama familiar com ação exagerada. Morrison introduz um exército de ninjas Man-Bat (Morcegos-Humanos) atacando Londres, misturando a espionagem pop estilo James Bond com o visual gótico clássico do Batman.
A Arte de Andy Kubert
A arte de Andy Kubert é um espetáculo à parte. Ele consegue dar a Damian uma expressão que oscila entre uma criança vulnerável e um psicopata mortal. Suas cenas de ação são dinâmicas, limpas e grandiosas, combinando muito bem com o roteiro enérgico e cheio de cortes rápidos de Morrison.
Tópico Especial: O Início do Épico de Morrison
Para o arquivo da ESSB, é vital entender que Batman e Filho não é uma história isolada. Ela é o Capítulo 1 de uma saga monumental que durou sete anos nas mãos de Grant Morrison (passando por Batman R.I.P., Batman & Robin e Corporação Batman). Tudo o que Morrison planta aqui — a obsessão de Damian, a manipulação de Talia e o desgaste mental de Bruce — explode em proporções gigantescas mais tarde.
Curiosidade Editorial (Fator Panini)
Diferente da bagunça que a Panini fez nos Novos 52 com o Lanterna Verde (fase que criticamos bastante aqui), o selo Batman por Grant Morrison recebeu um tratamento muito digno no Brasil posteriormente. A editora lançou essa fase em encadernados de capa dura bem organizados, permitindo que o fã brasileiro acompanhasse o crescimento de Damian e a evolução da relação de pai e filho sem sofrer com cortes cronológicos bizarros.
Veredito Final (Resenha Detalhada)
Batman e Filho é um clássico moderno instantâneo. É a introdução perfeita para um dos melhores e mais complexos Robins da história e o ponto de partida para a fase mais ambiciosa do Batman no século XXI.
Nota da Resenha: 9.5/10 — O início de uma era de ouro.
Créditos: Henrique
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