Escritor: Geoff Johns | Arte: Gary Frank | Publicação: 2008 (Action Comics #866–870)
Antes dessa saga, o Superman já havia enfrentado várias versões do Brainiac (robôs, clones, entidades orgânicas). No entanto, Johns estabelece uma reviravolta assustadora: Clark Kent nunca havia enfrentado o verdadeiro Brainiac. Todas as batalhas anteriores foram contra meras extensões de inteligência artificial descartáveis. O verdadeiro Brainiac estava escondido nas profundezas do espaço profundo, imutável, frio e terrivelmente eficiente.
O Terror do Verdadeiro Colecionador
A trama começa quando uma sonda espacial cai na Terra e o Superman descobre que o Brainiac real está a caminho. O modus operandi do vilão é de uma crueldade cirúrgica: ele viaja pelo cosmos, localiza planetas com civilizações ricas, encapsula e encolhe as suas principais cidades para absorver todo o conhecimento delas, e depois dispara mísseis para explodir a estrela do sistema, extinguindo o resto do planeta para que aquele conhecimento seja único e exclusivo dele.
O Trauma de Krypton: É aqui que descobrimos os detalhes da queda de Kandor. Através de flashbacks dolorosos, Johns reconecta o Superman ao terror que sua prima, Supergirl (Kara Zor-El), viveu ao testemunhar o vilão roubar a cidade de Kandor antes da destruição de Krypton. Kara é o reflexo do trauma puro nesta HQ.
A Queda de Kandor e Metrópolis
Quando a colossal nave orgânica de Brainiac (com o icônico formato de crânio) chega à órbita da Terra, o Superman é confrontado por uma criatura que ele não consegue vencer apenas no soco. O Brainiac de Johns e Frank não é um robô de diálogos mecânicos; ele é um ser xenofóbico, gigante, musculoso e intelectualmente superior que vê o Superman apenas como uma anomalia biológica a ser dissecada. Metrópolis é engarrafada, e o Superman precisa invadir a nave do vilão em uma missão de resgate desesperada que culmina na libertação da cidade encolhida de Kandor — mudando o status quo da mitologia do herói por anos.
A Arte Visceral de Gary Frank
Se em Legião dos Super-Heróis Gary Frank usou a fofura e o visual clássico de Christopher Reeve para trazer nostalgia, aqui ele usa essa mesma expressividade para traduzir o pavor.
O design do Brainiac é assustador: os cabos conectados ao crânio, os olhos frios e a pele esverdeada mecânica criam um dos visuais mais imponentes do vilão.
As expressões faciais de Clark Kent demonstram um cansaço físico e mental raramente visto em suas HQs.
O Preço da Vitória (A Maior Tragédia de Clark)
Para o arquivo da ESSB, o ápice emocional dessa HQ não está na batalha espacial, mas sim no seu desfecho na fazenda dos Kent em Smallville. Brainiac, derrotado e enfurecido por perder sua coleção, dispara um último míssil tático em direção à fazenda. O Superman consegue interceptar o projétil, mas o vilão ativa um ataque de satélite que causa um ataque cardíaco fulminante em Jonathan Kent.
A cena final de Clark chegando segundos atrasado, ouvindo o coração de seu pai parar com sua superaudição, e chorando nos braços de Martha Kent é um dos momentos mais devastadores da história da DC. Johns nos lembra que, apesar de todos os seus poderes divinos, o Superman ainda é um filho que não pode salvar a pessoa que mais ama do peso da mortalidade humana.
Editorial e Adaptações
Esta saga foi tão aclamada que foi adaptada quase que quadro a quadro no excelente filme de animação de 2013, Superman: Sem Limites (Superman: Unbound). Além disso, os conceitos de Johns sobre as sondas e a nave-crânio serviram de inspiração direta para os jogos e séries de TV posteriores que utilizaram o vilão.
Veredito Final (Resenha Detalhada)
Superman: Brainiac é um clássico moderno impecável. Consegue restabelecer o Brainiac como o maior e mais perigoso inimigo de ficção científica do Superman, ao mesmo tempo em que entrega um drama familiar focado nas raízes humanas de Clark Kent que quebra o coração de qualquer leitor.
Nota da Resenha: 10/10 — Uma obra-prima indispensável do selo Action Comics.
Créditos: Henrique
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