Resenha de Série: X-Men '97 (Temporada 2 – Episódios 1 a 3) – O Triângulo Temporal de Apocalipse


A segunda temporada de X-Men '97 chuta a porta do Disney+ com uma ousadia narrativa poucas vezes vista em animações: dividir seus três episódios de estreia em três linhas do tempo distintas (futuro, presente e passado). O foco central sai do drama político imediato de Genosha e mergulha de cabeça na mitologia de En Sabah Nur (Apocalipse) e no surgimento das icônicas equipes derivadas dos quadrinhos.

Episódio 1: O Futuro e o Peso do Amanhã

O primeiro episódio salta direto para o futuro pós-apocalíptico, estabelecendo uma atmosfera de ficção científica militarizada e desesperadora.

  • O Núcleo de Nathan Summers: Ver Jean Grey e Ciclope operando ao lado de seu filho, Nathan Summers, já em sua versão adulta e calejada, traz uma carga dramática fantástica. Eles lutam para sobreviver em um mundo completamente devastado e dominado pelo punho de ferro de Apocalipse.

  • A Âncora nos Anos 90: Enquanto o futuro queima, a série equilibra o ritmo mostrando a urgência no presente (anos 90), onde Forge e Bishop correm contra o tempo tentando consertar os dispositivos temporais. É um episódio excelente de ficção científica que dita a escala grandiosa da temporada.

Episódio 2: O Presente e o Choque Ideológico (X-Force vs. X-Factor)

O segundo episódio traz a melhor essência dos quadrinhos dos anos 90 ao introduzir a dinâmica de equipes com visões opostas sobre a causa mutante.

  • A Ascensão da X-Force: Liderada pelo implacável Cable, a X-Force surge como a força paramilitar tática que não tem medo de sujar as mãos para garantir a sobrevivência da espécie.

  • O X-Factor Governamental: O conflito se torna riquíssimo quando a X-Force bater de frente com o X-Factor, a equipe sancionada e financiada pelo governo americano para caçar e conter mutantes rebeldes. Esse embate institucional e tático no presente mostra que o mundo continua cinzento e perigoso para os heróis.

Episódio 3: O Passado e as Origens do Mal

O terceiro capítulo fecha a trinca de estreia expandindo o lore histórico da Marvel ao viajar até o Egito Antigo para desvendar a gênese do grande vilão da temporada.

  • O Faraó Rama-Tut: A introdução de Rama-Tut amarra as pontas da viagem temporal e mostra a escala cósmica da série, inserindo o clássico antagonista na dinâmica do Egito Antigo.

  • Os Quatro Cavaleiros Originais: Ver a transformação e a origem de En Sabah Nur, acompanhado pelos seus temidos Quatro Cavaleiros originais, dá ao espectador a exata noção do tamanho da ameaça que os X-Men enfrentarão na temporada. É um episódio visualmente monumental e rico em mitologia.

A estreia tripla da segunda temporada de X-Men '97 é impecável ao abraçar a complexidade das viagens temporais dos quadrinhos sem soar confusa. Ao conectar o resgate de Nathan Summers, o nascimento da X-Force e a origem milenar de Apocalipse, a série prova que continua sendo o produto mais maduro e ambicioso da Marvel no momento.

Nota dos Episódios 1 a 3: 9.8/10 — Uma aula de narrativa em quadrinhos na TV.

Créditos: Henrique

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