Resenha de Filme: Supergirl: Woman of Tomorrow (2026)


Direção: Craig Gillespie | Roteiro: Ana Nogueira | Elenco: Milly Alcock (Kara Zor-El) | Ano: 2026

A chegada de Supergirl: Woman of Tomorrow (2026) aos cinemas consolida a nova era do DCU sob o comando de James Gunn e Peter Safran. Adaptando a aclamada HQ de Tom King e Bilquis Evely, o longa busca se distanciar do tom esperançoso do Superman para entregar uma ficção científica espacial crua, poética e com forte pegada de faroeste estelar.

1. A Proposta: O Contraste Entre Kryptonianos

O maior acerto do filme está na caracterização da protagonista. Enquanto Clark Kent foi criado no conforto de uma fazenda no Kansas, Kara Zor-El assistiu à destruição de Krypton e sobreviveu em um pedaço flutuante de rocha cercado por morte até os seus 14 anos.

Milly Alcock entrega uma atuação visceral: sua Kara é cínica, amargurada, bebe pesado e carrega o trauma de uma sobrevivente. A jornada ao lado da jovem Ruthye em busca de vingança pela galáxia oferece um espetáculo visual deslumbrante, com cenários alienígenas psicodélicos e uma direção de arte que tenta honrar os traços da HQ.

2. Ação e Escala Espacial

Diferente das produções urbanas da DC, o longa abraça a fantasia científica. As sequências de combate sob o efeito de sóis de diferentes cores e o uso de armas alienígenas dão um tom único às lutas. O cão Krypto também ganha destaque, servindo tanto como alívio cômico quanto como elemento de proteção e lealdade brutal.

A Grande Observação: A Estratégia de James Gunn em Cheque

Apesar das qualidades técnicas e narrativas do filme, é impossível ignorar o debate que cerca a gestão de James Gunn à frente da Warner Bros./DC.

  • Foco em Personagens Secundários sem nexo: Existe um sentimento crescente de frustração na base de fãs em relação às prioridades do novo estúdio. Dar sinal verde e orçamento de blockbuster para um projeto solo da Supergirl — uma personagem historicamente tratada como secundária ou de nicho no grande panteão da DC — parece uma escolha deslocada para o início do capítulo "Deuses e Monstros".

  • O Retorno que Deveria Ter Sido do Lanterna Verde: Valeria imensamente mais a pena para a Warner ter investido na transição do elenco e da escala da série dos Lanternas Verdes diretamente para um grande evento cinematográfico. A tropa cósmica é um pilar de sustentação da DC que merecia a tela grande com prioridade total, trazendo o apelo comercial e o escopo de heróis de primeira linha que o público geral tanto clama para ver nos cinemas.

Supergirl: Woman of Tomorrow é um bom filme de ficção científica e entrega uma excelente interpretação de Milly Alcock. No entanto, deixa no ar a sensação de ser o projeto certo na hora errada — uma produção visualmente bonita sobre uma personagem secundária, enquanto grandes pilares da editora continuam aguardando o protagonismo que merecem nas telonas.

Nota do Filme: 7.5/10 — Esteticamente marcante, mas politicamente questionável dentro do plano do DCU.

Créditos: Henrique

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