Plataforma Original: PlayStation 1 | Desenvolvedora: Bandai | Lançamento: 1999
Digimon World, lançado em 1999, é um dos jogos mais divisivos, complexos e fascinantes daquela era. Ele não tentou ser um clone de Pokémon; em vez disso, criou um simulador de vida selvagem e criação que até hoje é difícil de replicar.
Digimon World é o jogo que melhor capturou a essência dos Virtual Pets originais (os V-Pets). Você não é apenas um treinador; você é um parceiro. Transportado para a Ilha Arquivo (File Island), sua missão é convencer os Digimons que perderam suas memórias a voltarem para a Cidade do Início (File City) e salvar o mundo de uma força maligna.
1. Gameplay: O Simulador "Hardcore"
Esqueça as batalhas por turnos tradicionais. Aqui, o foco é a criação.
Necessidades Básicas: Seu Digimon sente fome, cansaço e... precisa ir ao banheiro. Ignorar essas necessidades não só afeta os status, mas pode resultar em uma "digievolução de erro" (o famoso Sukamon).
Treinamento no Ginásio: Você passa boa parte do tempo no ginásio treinando HP, MP, Ataque, Defesa, Velocidade e Inteligência. O equilíbrio desses status, junto com o peso e o histórico de erros, determina em qual monstro ele vai se transformar.
Batalhas em Tempo Real: Nas lutas, você não controla o Digimon diretamente no início. Você dá comandos gerais (Atacar, Defender, Curar) e, conforme a Inteligência dele aumenta, ele passa a te ouvir melhor.
2. A Exploração e a Reconstrução da Cidade
O ponto mais alto do jogo é ver a File City crescer.
Recrutamento: Cada Digimon que você derrota ou ajuda no mapa volta para a cidade e abre uma nova funcionalidade. O Coelamon abre a loja de itens, o Centarumon abre a clínica, o Greymon abre a arena, e por aí vai.
Progressão Não-Linear: Você é livre para explorar quase toda a ilha desde o começo, o que dá uma sensação de aventura real, mas também de perigo, já que você pode cruzar com um inimigo muito mais forte que o seu parceiro atual.
3. Ciclo de Vida e Morte
Um dos aspectos mais impactantes é que seu Digimon envelhece e morre. Quando ele morre de velhice, ele vira um ovo e renasce, herdando uma pequena parte dos status anteriores. Esse ciclo infinito é o que permite que você eventualmente consiga os Digimons de nível Ultimate (perfeito), como MetalGreymon ou Phoenixmon.
A História: O Chamado de Jijimon
A trama é simples, mas eficaz. Os Digimons da Ilha Arquivo ficaram selvagens e esqueceram quem são. O ancião Jijimon invoca um humano (você) para restaurar a ordem. Ao contrário das séries de anime posteriores, aqui o clima é de mistério e isolamento. Você é o único humano em um mundo estranho, tentando entender as regras da biologia digital enquanto reconstrói uma sociedade do zero.
Versões e Curiosidades (O Infame Bug)
Versão Americana/Europeia: Infelizmente, a versão original em inglês sofria de um bug crítico no Agumon que guardava a entrada da Fortaleza de Ogremon, impedindo o progresso de 100% do jogo em alguns casos.
Versão Japonesa: É a mais estável e com menos bugs de progressão.
Traduções PT-BR: Por ser um jogo com menus complexos e muitas dicas de NPCs sobre como evoluir, as versões traduzidas por fãs no Brasil são extremamente populares e ajudaram muitos jogadores a finalmente terminarem o jogo nos anos 2000.
O Impacto no Brasil
Digimon chegou ao Brasil no auge da "Digimania" na TV. O jogo de PS1 era o sonho de consumo de toda criança que assistia ao desenho, mas a dificuldade elevada e a falta de guias na época faziam dele um jogo lendário. Quem conseguiu um Greymon na raça, sem detonado, era considerado um mestre no bairro.
Veredito Final (Resenha Retrô)
Digimon World é um jogo de paciência, tentativa e erro. Ele pode ser frustrante quando seu Digimon vira um Numemon (a lesma de cocô) pela décima vez, mas a recompensa de ver sua cidade cheia e seu parceiro evoluindo para um monstro épico é inigualável.
Nota da Resenha Retrô: 8.5/10 (Pela dificuldade punitiva e bugs, mas 10/10 em originalidade).
Créditos: Henrique


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