Plataforma Original: PlayStation 1 | Desenvolvedora: Capcom | Lançamento: 1996
Em 1996, o mundo conheceu a Mansão Spencer e o medo ganhou uma nova face. Resident Evil (ou Biohazard no Japão) transportou os jogadores para o meio das montanhas Arklay, onde o time Alpha dos S.T.A.R.S. se vê encurralado em uma propriedade infestada de zumbis e mutações biológicas.
1. A Atmosfera do Medo
O jogo utilizava cenários pré-renderizados com personagens em 3D, uma técnica que permitia um nível de detalhamento impossível para a época.
Ângulos de Câmera Fixos: Mais do que uma limitação técnica, a câmera fixa criava um clima de filme de terror, escondendo o que estava "na próxima esquina".
Gestão de Recursos: Aqui, o inimigo não era apenas o zumbi, mas a falta de munição. Cada tiro precisava ser calculado, e o icônico Baú de Itens forçava o jogador a tomar decisões difíceis sobre o que carregar.
2. Jill vs. Chris: Dois Lados da Mesma Moeda
O fator de replay é imenso porque a experiência muda dependendo de quem você escolhe:
Jill Valentine: Tem mais espaço no inventário, possui a gazua (lockpick) e conta com a ajuda do carismático Barry Burton. É o "modo normal".
Chris Redfield: Tem menos espaço, aguenta mais dano, mas precisa encontrar chaves para tudo e conta com a ajuda de Rebecca Chambers. É o "modo difícil".
🔄 As Muitas Faces do Medo: Comparando Versões
Resident Evil é famoso por ter sido relançado e adaptado diversas vezes, cada uma com seu "molho" especial:
Versão Original (1996): A que começou tudo. Destaca-se pela abertura em Live Action (com atores reais) e a dublagem propositalmente canastrona que se tornou cult.
Director's Cut (1997): Lançada para compensar o atraso de RE2. Introduziu o modo "Arranged", que mudava a posição dos itens e inimigos, e trazia novas roupas para os personagens.
Nota: A versão "DualShock Ver." desta edição é famosa (ou infame) por ter uma trilha sonora alternativa que divide opiniões.
Versão PC/Sega Saturn (1997): O Saturn recebeu modelos de inimigos exclusivos (como o zumbi Tick) e um modo de batalha. O PC trouxe gráficos mais nítidos e a possibilidade de pular as animações de portas.
Deadly Silence (Nintendo DS - 2006): Uma versão técnica incrível que permitia jogar o clássico na palma da mão, usando a tela de toque para resolver puzzles e enfrentar inimigos em primeira pessoa em momentos específicos.
A Mansão Spencer: O Labirinto Vitoriano
A mansão não é apenas o cenário; ela é um personagem. Com sua arquitetura neoclássica e barroca, ela confunde o jogador com salas simétricas, quadros que observam seus passos e estátuas que escondem mecanismos mortais.
Inimigos Dominantes: Aqui o Zumbi reina. Lentos, mas persistentes, eles bloqueiam corredores estreitos, forçando você a gastar munição ou arriscar uma mordida. É aqui também que os Cerberus (cães) protagonizam o susto mais icônico da história ao estourarem as janelas do corredor leste.
O Clima: O som do relógio carrilhão no hall e o ranger da madeira criam uma opressão constante.
2. A Parte Externa e o Pátio: O Respiro Enganador
Ao sair da mansão, o jogador sente um alívio temporário ao ver o céu noturno, mas o perigo apenas muda de forma.
Ambientação: Jardins malcuidados, uma casa de guarda (Guardhouse) infestada de plantas e uma piscina que esconde horrores subaquáticos.
Inimigos: É o território dos Crows (corvos) — que te atacam se você fizer barulho — e das Aranhas Gigantes, que podem te envenenar, drenando sua vida gradualmente. Sem falar na Plant 42, um dos chefes mais memoráveis, que tomou conta de uma ala inteira da casa de hóspedes.
3. O Lado Subterrâneo: Escuridão e Agilidade
Antes de chegar ao fim, você deve atravessar as cavernas e o subsolo da propriedade. É um local úmido, claustrofóbico e mal iluminado.
Inimigos: Este é o domínio dos Hunters. Diferente dos zumbis, eles são rápidos, pulam longas distâncias e têm um ataque de decapitação que causa Game Over instantâneo. A tensão aqui é máxima, pois o som dos passos deles ecoa antes mesmo de você os ver.
4. O Laboratório: A Verdade Nua e Crua
A descida final leva ao complexo de pesquisa escondido da Umbrella. O estilo vitoriano dá lugar ao aço frio, luzes fluorescentes e tecnologia estéril.
Ambientação: Salas de cirurgia, áreas de contenção e computadores antigos. É aqui que você descobre que tudo foi um experimento e que os monstros eram, na verdade, os funcionários do local.
Inimigos: Além de zumbis "pelados" (cobaias de laboratório), você enfrenta as Chimeras — misturas bizarras de humanos e insetos que andam pelo teto.
O ápice: Tudo culmina na libertação do Tyrant (T-002), a arma biológica definitiva, em um confronto que exige cada bala que você economizou durante o jogo.
O Impacto no Brasil
Resident Evil foi um dos jogos que "vendeu" o PlayStation 1 no Brasil. Quem não se lembra de trocar dicas na escola sobre como resolver o puzzle dos quadros ou o medo de atravessar o corredor onde os cães pulavam pela janela? A popularidade foi tão grande que gerou uma das comunidades de fãs mais fiéis do país até hoje.
Veredito Final (Resenha Retrô)
Resident Evil é uma aula de design de som e ritmo. Ele ensinou que o silêncio pode ser tão assustador quanto um grito. Mesmo com os controles "tanque" que podem parecer datados hoje, a tensão de caminhar por um corredor escuro com apenas duas balas no pente continua sendo uma experiência inigualável.
Nota da Resenha Retrô: 10/10 – Um pilar fundamental da história dos games.
Créditos: Henrique


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